O arquivo do primeiro semestre de 2026

Vinte e sete publicações de LinkedIn, reescritas em onze artigos. Sete valores corrigidos.

Entre abril e agosto de 2026, a Advance Station publicou quarenta e uma peças no LinkedIn. Vinte e sete delas eram editoriais: indicadores, leituras de conjunto, conceitos e posições. As restantes eram peças de oferta ou de efeméride e não entram aqui.

Esta página explica o que fizemos a essas vinte e sete quando as trouxemos para o nosso domínio, e por que razão o que está aqui não é o que estava lá.

Não é uma cópia, e é preciso dizê-lo

Três coisas mudaram na passagem.

A organização. No LinkedIn, cada peça era autónoma e a repetição era intencional: o espaçamento do feed obriga a voltar ao mesmo assunto várias vezes por mês para que ele assente. Num site, essa repetição divide a leitura e faz com que páginas do mesmo domínio compitam entre si. Por isso as vinte e sete peças foram condensadas em onze artigos temáticos, cada um a tratar o assunto por inteiro.

O texto. Nenhum artigo é uma versão alongada de uma publicação. Todos foram escritos de novo, com estrutura própria, exposição metodológica e uma secção sobre os limites dos dados que as peças de rede não tinham.

A base. Ao preparar esta transferência, fomos às fontes primárias de cada número que tínhamos publicado. Sete não sobreviveram.

Não é uma cópia, e é preciso dizê-lo

Ficam aqui listados, com o que foi publicado e o que a fonte diz. O detalhe de cada caso está no artigo respetivo.

01 · Participação em formação por nível de escolaridade.

Publicámos 25,1% para diplomados do superior e 4,1% para o ensino básico, atribuídos ao Inquérito à Educação e Formação de Adultos. O inquérito reporta 68,3% e 27,3%. O valor de 25,1% existe e é a taxa de participação da União Europeia segundo outro inquérito.

02 · Distância para a meta europeia de 2030.

Publicámos oito pontos percentuais. A meta é monitorizada numa base de medição diferente daquela que produz o valor que citávamos. Na base correta, a distância ronda os vinte e cinco pontos.

03 · Mortalidade empresarial.

Publicámos 12,6% para Portugal. Não encontrámos fonte que sustente esse valor. O Instituto Nacional de Estatística reporta 3,1% para sociedades não financeiras e o Eurostat reporta médias europeias na ordem dos 8,5% para um universo mais largo. O artigo passou a trabalhar com taxas de sobrevivência, que são menos ambíguas.

04 · Crescimento das microcredenciais.

Publicámos um crescimento de 98% em cursos não conferentes de grau como prova de uma transformação. O valor é real. No mesmo período e na mesma instituição, os cursos conferentes de grau cresceram 89%. Nove pontos não sustentam a conclusão que tirávamos.

05 · A distância entre reconhecer e adotar.

Publicámos que 61% dos portugueses consideram a formação digital imprescindível e 43% praticam, e chamámos aos dezoito pontos de diferença a tensão central do mercado. Os 61% referem-se à necessidade de mais formação em inteligência artificial e sobrepõem-se largamente aos 43%. A subtração foi feita entre grandezas diferentes.

06 · Conclusão dos cursos profissionais.

Publicámos 87,8% e escrevemos que significava que mais de oito em cada dez de quem entra chega ao fim. O valor é real e mede a conclusão do ensino secundário num ano letivo. A proporção de quem entra e conclui no tempo esperado é de 70%.

07 · Planos de adoção de agentes de inteligência artificial.

Publicámos que 80% das empresas planeiam integrá-los em um a três anos. Não confirmámos a origem do valor e ele não voltou a ser usado.

O que estes sete casos têm em comum

Todos eram favoráveis à tese que sustentavam. Nenhum foi inventado. Todos foram escolhidos, e a escolha foi feita por quem escrevia e tinha interesse no resultado.

É uma constatação incómoda e é a mais útil que este trabalho produziu. Quando um indicador contraria o que se quer dizer, procura-se outro e verificam-se os dois. Quando o confirma, segue-se em frente.

Foi a partir daqui que instalámos a regra que rege esta série desde agosto de 2026: a verificação de fontes é feita por pessoa distinta de quem escreveu a peça, a partir da lista de valores e sem ter lido o texto. Custa cerca de uma hora por artigo.

O que se manteve

Duas coisas.

Os valores que tinham fonte identificada no próprio texto publicado resistiram todos. E as teses que não dependiam de subtrações entre indicadores mantiveram-se por inteiro, algumas delas mais fortes do que estavam, porque a verificação trouxe dados que não tínhamos. O melhor exemplo é a conclusão dos cursos profissionais: perdemos dezoito pontos de boa notícia e ganhámos a série histórica, que mostra uma subida de dezassete pontos em oito anos.

As publicações originais mantêm-se

Não apagámos nada no LinkedIn. As publicações originais continuam onde estavam, com o histórico de interação intacto, e receberam uma linha final a remeter para a versão integral aqui, com menção às correções quando as houve.

Editar uma publicação depois de publicada para a fazer parecer certa é pior do que deixá-la errada com a correção ao lado.

Com as publicações que cada um consolida.

A-06 20 agosto 2026

2030 e o horizonte de planeamento

Publicações de origem: Carta de Navegação · 28 abril 2026; Lente de Descoberta · 26 maio 2026; Lente de Descoberta · 18 julho 2026.

A-08 24 agosto 2026

Entre reconhecer e adotar

Publicações de origem: Carta de Navegação · 2 junho 2026; Observatório AS · 4 junho 2026; Lente de Descoberta · 9 junho 2026; Observatório AS · 18 junho 2026; Diário de Bordo · 19 junho 2026.

A-09 25 agosto 2026

O sistema formativo que funciona em silêncio

Publicações de origem: Observatório AS · 2 julho 2026; Carta de Navegação · 3 julho 2026; Diário de Bordo · 24 julho 2026; Lente de Descoberta · 28 julho 2026; Observatório AS · 30 julho 2026.